terça-feira, 17 de novembro de 2009

Avisos

Minha Rainha permanecia com aquele sorriso aos lábios. Um sorriso de quem espreita e traiçoeiramente espera por sua presa. Neste reino sombrio e cheio de espinhos, minhas páginas não se tornam tão verdejante quanto antes. São negras em sua obscuridão e verdes com o respiro de quem ainda sobrevive. Não tivera a mesma sorte meu irmão. Talvez por carregar sonhos doces e caramelados, sonhos infantis e fracos, fizeram que seu pulsar dourado findasse. Ah! Mas sei que ele ainda respira, mesmo que de modo fraco, trazendo a Rainha seus pesares, suas saudades por sonhos ilusórios; o desejo pelos contos de fadas que são contadas no singelo sorrir de sonhos que estão por vir. Sei que minha Rainha, respira pesadamente ao olhar para aquela capa em tons outonais, murmurando em silencio aos fantasmas que lá assombram os sentimentos joviais. Não posso deixar de sorrir em minhas páginas, pois sei que o Tyr Quentalë fará um último louvor às ancestrais glórias; quando Fada tornou-se Pandora, e de uma Pandora tornou-se a melancolia de um anjo sempre a buscar. Poderia passar horas a contar sobre fadas, anjos, rainhas e muito mais, mas por hora são minhas páginas que tem muito mais a contar.

Os ventos soberanos mostram sua força. Forçam passagem pelos azevinhos, espinhos e os seres que aqui habitam. Cravam suas garras à minha pele, enquanto observo as sombras murmurantes. Cavaleiro errante e cavalo avançam, buscando as trilhas ao centro deste labirinto. Sim! Esta floresta possui sua vida, circunda mata e até mesmo fascina. Ainda possuo o líquido em minhas mãos, mas meu coração ainda se encontra devorado pela escuridão.
— Nada há neste peito, nobre cavaleiro, Arrisca-te em tentar desvendar este reino. — Murmuro sibilante, como a floresta a circundá-lo. Espinhos avançam ao encontro do bardo, do tolo, daquele que um dia tivera olhos cor de ouro.
— Talvez compadeças de meu sofrer, por talvez sofrer de meu mesmo sofrer. O que desejas encontrar?
Sorriam bravios os ventos frios, pois a morte está a rondar. Palavras bonitas arrancam-me sorrisos, mas nada mais irão arrancar. Talvez mais palavras, mas nada mais há de encontrar.
Desafios não mais que meros desafios de oneiromantes ou bardos a cantar. Bardos que cantam suas decadentes histórias. Ao bramir baixo e olhos a luzir.
Luzem vermelhos na cor do sangue, instigando um breve sufocar. Garras que penetram a tenra carne, rosnando rouco, rosnando baixo.
— Não há vitórias por aqui. Não mais haverá... Não busque por sentimentos, apenas desafiosirás encontrar. Não há charadas a se decifrar. Nem mesmo o consolo. Há apenas escuridão. Há apenas solidão. E apenas isso, irás encontrar...
Sorriu o corvo em seu reclinar, indo à busca do errante que está a me buscar. Em meu trono, espero pelo grito de que ele não vai parar.
— Eles jamais param, até me encontrarem...

Suspirei a ouvir aquelas palavras, pois minha Rainha estava mais do que certa. Muitos proclamam que são diferentes. Muitos lutam para provar. Mas no fim, encontram espinhos. E são nessas feridas que ela os vê declinarem.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sangue ao Vento

O sopro infernal adentrava a floresta de espinhos e fiquei em silêncio a esperar uma reação que fosse de minha Rainha. Andava silenciosa a escutar os ventos e a sentir em própria pele os prantos noturnos. Meu falecido irmão, que tivera suas páginas lacradas, servia de lembrança à maculada alma de minha Soberana e por vezes, foi-me possível sentir os suspirares e até mesmo a dor ao coração dos sonhos despedaçados que um dia ali reinaram aos contos delicados e iluminados. Mas, silencio agora meus pesares e deixo que as páginas tomem vida ao toque delicado de minha Rainha.

Ossos rangiam em seus avançares e olhos espreitavam as sombras que cravavam as garras no verde imaturo que buscava avançar. O hálito infernal trazia seus rugidos e eu sorria levemente a espreitar. Reinos cresciam e reinos morriam; almas que antes eram bravias, agora eram cantigas de ninar. Ria incrédula, não mais em desespero; tudo se tornava patético em meu mais novo reino. Sentimentos são contos de fadas, quebradiços com um simples soprar e quem sabe o que são lágrimas se não conseguem provar.
Sopros fortes tentam amenizar, buscam ferocidade, sadismo, buscam garras e ganham apenas um sorriso. Chega a mim uma águia marcada, ferida, tomba a silvar de modo fraco. Silva curto, com certa paixão. Silva cantos de alívio e comoção. Busca aqui em reino sombrio o bater de um coração.
— A Rainha não morrerá, mas não mais há um coração para se entregar. — Murmuro tocando as penas que se tornam água, dos escuros olhos sombrios e graves. — Quanto tempo mais, irás espreitar-me?
Suspirei, arrancando a dor e o silvar ali contidos, gravando-os em brasa às páginas de meu livro.

“Ouço-te num sonho em que pestanejava
Eu dormia, porém meu coração bradava
Suave é a voz do seu lamento
E cruel as lágrimas de seu tormento

Uma vez com seu pranto sonhei calado
Noutro ensejo senti-me culpado
Na terceira vez acordei perturbado
E pronunciei seu nome, já apagado

Gritei para o céu, os pássaros calaram
Ouviram de Arcadia o que de mim duvidaram
Tenho a coragem para as trevas enfrentar
Tal qual nem asas negras ousam atestar

Em ti, rainha, confiaram honra generosa
Marche avante e brade numa voz estrondosa
Té que o reino tema sua maldição impiedosa
E espinhos firam no peito a cria maldosa

A águia encontrou para si um ninho
E o cavalo um riacho no caminho
A flecha atirada não vacilará
Nem o desejo do teu coração desviará

De nada sei e nem como alcançá-lo
Mas te digo: já montei o meu cavalo
Não invoque o mal que encontraremos
Ele sucumbirá, pois nunca desistiremos”

Distante meu olhar agora permanecia e acariciava as páginas de meu livro.
— A dor, é o divino sabor desejado pelos cavaleiros, Seanchaí. Teremos visitas em breve!

Falou laconicamente minha Rainha e eu temia, ainda, pelo sopro do vento ao leste da floresta de espinhos.



[Meus sinceros agradecimentos pelo belo poema enviado a este reino.]

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sidhe...

Os ventos sopram cautelosos as folhas da floresta de espinhos. Assim o fazem para não despertarem os pequenos ferrões amadeirados sedentos por sangue. Nem mesmo Redcaps eram tão sedentos e minha Rainha parecia em transe. Caminhava em seus passos leves nos campos dos mortos ousados, observava os sorrisos aos lábios petrificados e olhava de soslaio as folhas murmurantes dessa nova Arcádia.
— Abra-te... – Ordenou-me minha Rainha e deixei minhas folhas mostrarem-se em seus novos tons.

Sentia-me sozinha, mesmo rodeada de novos súditos. Sentia-me sozinha ao mar de sangue ofertado. Mas o sentir-me só, dava aos meus olhos o tom melancólico. Uma melancolia de longe existente, pois eles apenas espreitavam.
Buscavam nas entranhas da floresta a pequena chama singela. Uma chama que arrebataria meu coração se conseguisse encontrar o órgão arrancado do peito em outra estação.
Flores singelas salpicavam o verde escuro das folhas de azevinhos. Pequenos salpicos fantasmais. Logo mais frutos sanguíneos surgiriam e mais sussurros me alcançariam.
Meu corpo estremecia por um instante, deixando sorrisos escaparem de meus lábios. Seanchaí e Tyr Quentalë estremeciam, já que de minh’alma eles compartilharam segredos, desejos e desamores.
Sim! Lá estavam outros seres de Arcádia. Um com a frieza metálica a encarar-me. Palavras não eram necessárias, pois me espreitava predatoriamente.
Evoquei minhas antigas maldições, sentindo as cicatrizes chamuscarem.
Sorri com os príncipes infernais, movedores de peças e ambição.
— Em breve os reinos fundirão... – murmuraram.
Traiçoeira, finquei minhas garras aos corações.
— Não enquanto eu assim não desejar.
Retraí meus lábios mostrando presas, escutando os gemidos abafados naqueles lábios.
— Perdera teus sentimentos, Rainha?
Soltei os corpos dos mensageiros infernais, provando do sangue arrancado.
— Eles são apenas fantasmas...

sábado, 24 de outubro de 2009

Azevinhos

Minha rainha estava mudada e seus olhos permaneciam obscuros em sua dor. Mas aos poucos o que pensei ser a dor da perda do Rei que aqui reinava, percebi às gotas de sangue pingadas, que não mais havia o amor condutor na valsa dos seres carregados de beleza e ferocidade. Pude perceber a floresta crescendo, tornando-se traiçoeira para os incautos que aqui compareceram. Pude ver o fino sorrir que surgia aos lábios de minha bela dama e seus murmúrios tornarem-se temíveis encantos. Ah! Quão poderoso pode ser a lamúria de uma Bean-Sidhe e quão traiçoeiros podem ser os espinhos desse novo reino. Sendo assim, o convido para mais uma vez deslizar seus olhos por minhas linhas, pois quem sabe assim, você venha sobreviver a mais este encontro com a minha Rainha.

Não mais era Troll aquele que um dia vivera em meu reino e por um tempo pude ver às areias escaldantes no que a alma dele se transfigurou. Meu ódio crescente beirava a insanidade e ergui meu dedo pensando em uma maldição. Minha essência exigia sangue derramado, um sangue poderoso para obscurecer mais ainda minha Arcádia. Mas na dor do coração arrancado e no perceber de que eu não era um mero brinquedo, sorri ao que os espinhos intoxicavam minha alma. Não me intoxicavam no intuito de matarem-na e alimentavam meus lábios com os pequenos frutos sanguíneos que cresciam e atraíam suas vítimas. Sussurravam aos meus ouvidos a volta de minha soberania, davam ao meu corpo as necessárias cicatrizes que agora eu ostentava. Não mais soltava suspiros e sequer meu coração se angustiava. Percebi em meu sadismo, aqueles que ainda me buscavam. Novos príncipes procuravam um reinado, desejando a companhia da Rainha abandonada. Sorriam mudando as cores de seus olhos para meu agrado. Comiam das pequenas frutas mais do que deveriam, abrindo seus corpos com os meus espinhos. Alimentavam o desejo da obscura Arcádia e sorriam ao sentirem o beijo frio em seus lábios, com seus nomes murmurados. Um a um eles caíam avançando na floresta de espinho, buscavam sobreviver com aquilo que os intoxicava ,e ali, ao meu trono eu apenas observava...
Escutava...
Esperava...

— Quão belos são os azevinhos, de sua Arcádia!

domingo, 18 de outubro de 2009

Floresta de Espinhos

Minhas folhas já se encontravam negras, quando senti suspirares moverem minhas folhas. Cheguei a pensar que nada mais era do que a minha vontade de viver, de mostrar que eu não era mais um Tyr Quentalë. Mas quando senti aquele suspirar e depois percebi o olhar de minha Rainha, notei o quanto ela estava mudada e que, talvez, meu desejo deveria ter permanecido perdido na floresta espinhosa que se tornou Arcádia.
Cheguei a me contestar em abrir minhas páginas, mas foi aquele sussurro, baixo e taciturno, o qual me fez compreender que agora era desejo dela e não meu que reinaria nas folhas, as quais começavam a ganhar os tons esverdeados que se perdiam aos tons negros da nova floresta do reino de minha Rainha. A ti mostrarei essas novas linhas e nada mais do que isso mostrarei.

Por muito tempo segurei aquele corpo azul que se tornava pálido em meus braços. Minhas asas translúcidas haviam ficado negras e lágrimas derramei em meu desespero com o golpe que ele havia tomado, mas aos poucos o corpo pétreo partiu-se em fragmentos e foram levados não pelo vento, mas por algo que eu não havia acreditado.
O Troll tornara-se outro, reinante de uma esfera que não estava ao meu alcance, arrancado de minhas asas por areias distantes e nada mais me restara a não ser seu encanto. Por muito tempo fechei-me à floresta, sentindo as feridas abertas, neguei à minha força que ele havia sido derrotado, mas quem fora derrotada em toda onipresença havia sido esta Rainha que por aqui vaga.
Urrei em meu pranto, dilacerando os antigos visitantes de minha Arcádia. Tornei-os pó, sangue e esquecimento, dando a grande parte deles meu menosprezo.
Parti em busca das areias tórridas daquele novo reino e encarei a Esfinge sem o menor medo...
Então Rainhas se tornaram as duas e compreendi...
Vi ali, não em minha insignificância, mas em minha granditude que não perdi... Mas que ganhei muito mais que um simples Reino... Que uma simples disputa...
Ganhei aqui... Nesse peito aberto e de coração arrancado... A verdadeira beleza deste encantamento...
A Certeza de que não sou apenas um mero brinquedo.

sábado, 12 de julho de 2008

O Fechar de Um Livro

Estremece a terra de uma forma assustadora. Os ventos gélidos rasgam os prados verdejantes batendo à porta do Castelo, arrombando-as sem dó. Sombras lançavam suas garras, avançando aquele espaço e ao trono a Rainha estava com seus olhos baixos. O Rei caído ao chão, possuía ferimentos que nem mesmo a magia de minha Rainha parecia cicatrizá-los e lágrimas desciam pelo rosto silencioso de uma Rainha que voltava a mostrar toda sua dor. Risos... Risos... Eles se espalhavam pelo salão. Macabros, doentios sussurrando ao ouvido da Rainha que seu Rei fora derrotado. Minhas folhas caem como folhas outonais e não consigo ter forças para dizer algo à minha Rainha com seu olhar lamurioso sobre o Rei tombado.
- Força! Força! – as palavras chegavam à mente da Sidhe. Mas o semblante de um sofrimento que voltava com a força da Legião, cravava as garras em suas asas. As palavras que pediam para ela manter suas forças, pareciam não surtir efeitos e minhas folhas caíam cada vez mais.
- Eles o venceram... – Murmurou com a voz embargada, deixando o pranto tomar conta mais uma vez. O som dos grilhões voltavam a ficar presentes.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!
O grito veio com a forma de mil Bean-Sidhes e pude ver minha Rainha caindo prostrada ao chão. Abraçando aquele corpo imenso de seu Rei, deixando as lágrimas fluir como rios que agora inundam os prados verdejantes. As sombras se assustam com o tamanho da dor contida dentro da Rainha e pude ver, por um leve momento, asas negras surgirem no lugar das asas translúcidas. Pude perceber que a sombra contida nela, crescera muito mais que as sombras que tentavam a aprisionar mais uma vez. Pude sentir quando ela elevou os corpos, dela e de seu Rei e ordenou-me em um tom de voz que me fez estremecer.
- Feche tuas páginas e não ouse abrir novamente até que eu vença esta nova batalha!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cruel realidade...

O vento frio tenta intimidar os prados verdejantes, mas em meio ao calor de batalhas acirradas, posso vislumbrar dois corpos ofegantes. Suas armas parecem firmes em suas mãos e o sangue, ora úmido e quente, ora coagulado e frio, desenha em vossos corpos escritos antigos. Seria possível ver asas crescerem nas costas daqueles dois que possuem tantos títulos, mas tais adornos belos e imponentes só podem ser vislumbrados pelos demais ao sentirem as mãos gélidas e mortais do abismo que margeia este reino do qual faço parte. Rei e Rainha erguem suas armas e seus olhares frios dão sua sentença, ouso agora abrir minhas páginas e àqueles que tiverem coragem, lanço o desafio de mergulharem em minhas linhas.

Seus olhos observavam aquele corpo, olhos, lábios. Escutava os discursos que encantavam, enlaçavam, prendiam. Sua presença era majestosa, algo quase sobrenatural, mas sua alma parecia aprisionada a alguém. Não precisavam me dizer sobre o amor que possuíam um pelo outro, pois tal sentimento tornava-se quase palpável a olhos vistos. Seu corpo estremecia ao que seus olhos se cruzavam com os dele, ao escutar aquelas palavras gentis que direcionavam seus sentimentos e pensamentos, mas ao fim o sabor amargo tomava conta de seu palato, quando ela a via frágil aos braços dele. Não aceitava, não conseguia aceitar o fato de um homem que seria capaz de conquistar o mundo, estar aliado, apaixonado, ser devoto a alguém tão frágil, tão próxima à morte.
– “Nada que você faça, irá separá-los”. – Disseram-lhe uma vez.
Então se aproximou, fez-se frágil, uma donzela que precisava de tanto carinho quanto a preferida possuía. Palavras. Aquelas palavras que eram capazes de elevar uma alma aos céus se aproximavam, sorria, acolhia. Mas, não da forma como queria. Não da forma como aquela mulher possuía.
Sua mente ficava cada vez mais aturdida. Suas mãos tremiam com uma navalha reluzente. Cortava-se, feria-se cada vez mais, mas bastava um bater descompassado do coração dela que ele caía de joelhos em preocupações por aquela assombração.
– “Nada que você faça, irá separá-los”. – Disseram-lhe mais uma vez.
Não aceitava, não queria aceitar. Movia mundos, se declarava, mostrava uma amor tão grande ou maior, mas em meio às palavras gentis dele, ainda era possível sentir aquele amor único e devoto a ela.
Quebrou coisas, rasgou cortinas, quase chegou a incendiar a própria casa, mas o reluzir daquela navalha tornava sua alma cada vez mais obscurecida. Suas declarações estavam tão claras, porque ele não a via?
– “Nada que você faça, irá separá-los”. – Sua mente lhe repetia. Uma, duas, três vezes...
O baque metálico da navalha ao chão e gritos de desespero tomava conta de sua casa e então foi quando ela sentiu a mão repousar-lhe sobre o ombro. Uma mão fria, ausente de calor humano. Aqueles olhos que ela jamais havia visto de perto a encaravam em um brilho tão sombrio. Era o próprio diabo que a encarava. Um diabo em forma de mulher. Uma mulher com a aparência frágil, mas que agora a fazia compreender que mesmo em tamanha aparência de fragilidade, aquela mulher era muito mais forte do que ela.
- “Sei o quanto ele pode ser encantador. O quanto ele pode ser gentil. Sei o quanto ele pode ser amigo e maravilhoso. Muitas pessoas percebem tarde demais, aquilo que deveriam ter percebido há mais tempo”...
Seu coração disparava, sua respiração faltava-lhe ar. Ele não estava com aquela mulher pelo simples fato dela parecer frágil, de alguém que precisava de cuidados intensos. Ela. Aquela a quem ela desprezava por possuir um amor que desejava possuir, era na verdade parte dele, era ele, assim como ele era ela. Os dois eram um e agora ela compreendia e recolhia os cacos de seu coração alquebrado.
– “Nada que eu faça, irá separá-los”.