quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Sobre Príncipes Encantados...

    Príncipes encantados existem? Sim, eles existem! Mas não da forma que as pessoas imaginam e não são encontrados em contos de fadas que possuem sorrisos e felizes para sempre! Creio que vocês já devem ter lido isso em minhas linhas, assim como devem se recordar o tanto que alertei que eu não possuía final feliz, afinal, minhas linhas não possuem contos de fadas americanos. Em nosso último encontro minha Rainha se mantinha observadora e silenciosa e os três representantes da Rainha se encontravam arredios com os rumos que Arcádia tomou, porém, você que perscruta as minhas linhas deve estar se perguntando por que citei príncipes encantados e eis os motivos a seguir...

    — Escutaram isso? – crocitou o Corvo erguendo a cabeça como se uma leve brisa acariciasse suas negras penas.
    O Gato se esticou depois do longo sono que o dominou, ronronando letargicamente: — Refere-se ao som de lágrimas e do bater de um coração pesado?
    — Não... Não me pareceu ser esse som... – O Corvo espreitava a negritude do vazio.
   — Devo concordar com a ave de mau agouro – suspirou o Falcão – o som lembra-me exatamente um suspiro e o som de espelhos quebrando.
   — Uma quase aceitação... – o Corvo arriscou avançar alguns passos até os limites do vazio.
   — Sim! Há esse... – Repentinamente o Gato se calou. Seus olhos espreitavam as penas do Corvo e o Falcão resolveu olhar o que fez o Gato se silenciar.
    — NÃO! – o Falcão ergueu voo para alcançar o Corvo com suas garras.
   — NÃO, FALCÃO!!! ESPERE!!! – o Gato saltou para agarrar o Falcão antes que ele atingisse o Corvo.
    — Solte-me Felino! Antes que seja tarde! – Implorava o Falcão, carregando ódio em seu coração!
   — Aquiete-se sua ave de rapina... Se interferirmos, o Vazio em que nos encontramos se manterá para sempre!
   O Corvo parecia alheio à briga entre o Gato e o Falcão. Ele sentia o Vazio o envolver e acariciar suas penas. Seus olhos se fechavam, enquanto aquele leve arranhar parecia desenhar suas formas e atiçar seus anseios de liberdade e aprisionamento à única pessoa que ele amava.
  — Príncipes encantados existem, mas não da forma que as pessoas imaginam e eles não são encontrados em contos de fadas que possuem sorrisos e felizes para sempre.
   O Corvo escutava aquele sussurrar e se entregava àquelas carícias que confidenciavam uma nova história a qual ele desejava escutar.
   — Eles se encontram na vida das pessoas que nos rodeiam, pois ambicionamos a alegria que as contagiam...
    O Corvo aprumava as suas penas se deliciando com tudo aquilo.
   — Somos incapazes de encontrar a nossa própria felicidade, pois nos preocupamos em arrancar a visão que nos permitiria tal emoção...
    O Corvo sorria em sua alma por compreender a verdade daquelas palavras.
    — Somos um, na ilusão e na realidade de uma mesma canção...
    O Corvo abriu seus olhos e os esgueirou em direção ao Gato e ao Falcão.
   — Estão prontos para uma nova história? – Crocitou o Corvo, tendo o Vazio incorporado às suas penas, deixando-o mais sombrio que a encarnação do escritor americano.


    Príncipes encantados existem, mas não da forma que as pessoas imaginam. Posso afirmar que eles não são encontrados em contos de fadas que possuem sorrisos e felizes para sempre. Eles se encontram na vida das pessoas que nos rodeiam, pois ambicionamos a alegria que as contagiam... Mas isso, é uma história para outra hora...