segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

As Moiras...


O tempo passa de forma estranha a cada findar de ano e as comemorações pagãs e cristãs misturam-se quando menos esperamos.São misturas interessantes, mas sombrias com as passagens dos dias e acabo me divertindo com o que é escrito em minhas linhas. As pessoas esperam finais felizes, contos carinhosos neste livro. Chegam a pensar que teremos casos de amor nas personagens que aqui se aventuram, mas o real e fictício não são irmãos. Em tempos antigos eu dizia que não era igual ao meu irmão mais velho e que nestes prados não deviam esperar finais felizes. Uma prova disso foi o que viveu a minha Rainha, mas agora não há tempo para tudo explicar. As Moiras se encontram lá, torturando a mente de um andarilho perdido que ainda possuía esperanças de que houvesse um pouco de luz no coração de minha majestade, mas todos que aqui habitam sabem que isso não é mais possível...

— Hi-hi-hi-hi-hi! Seu coração está torturado?
— Huumm! Na verdade está decepcionado!
— Na verdade! Ele está confuso minhas queridas irmãs!
As moiras circundavam o andarilho que se encontravam em suas garras e sentiam o aroma de um coração despedaçado. Dúvidas, questionamentos e incertezas eram seus alimentos. Elas se deliciavam à medida que isso o estraçalhava e sabiam que lá no alto, mais alguém esperava pelos pedaços que se fragmentavam.
— Achavas que o Arcanjo era um raio de esperança?
— Achavas que a Rainha iria recompensá-lo?
— Achavas que Deus iria resgatá-lo?
Elas riam cada vez mais alto com o fincar de suas garras e o Arcanjo lançando suas sombras aguardava aquela alma.
— Não há espaço para almas inocentes...
— Não há espaço para amor...
— Não há espaço para nada...
Sons de cascos tornam-se presentes e à linha dos penhascos que abrigavam as Moiras com sua vítima, surgia outra entidade inesperada...
— O Abismo trouxe-nos novos amigos... - deliciou-se a mais nova, puxando os cabelos do andarilho para que ele visse um cavaleiro em armadura negra e elmo com chifres.
— Nenhum deles com uma alma que nem a sua... - a mulher fincou mais fundo as garras ao peito do homem, arrancando-lhe um grito que o obrigava a olhar o arcanjo com aspecto sombrio.
Um som alto corta o abismo, um som conhecido pelo andarilho... Era um silvo nobre e portentoso, mas ao mesmo tempo ardiloso...
— Más notícias meu querido... - murmura ardilosa a senhora - o Falcão à casa torna...

O silvo do Falcão realmente desviou nossa atenção. O Corvo parecia interessado, suas plumas negras logo se alvoroçaram. O Gato pareceu sentir um prazer imenso, enquanto a menina-moça suspirou com certo receio. Já a Rainha...
— Os ventos de Arcádia trouxeram novos ares.
Sim, ela sorria, com o coração batendo forte e seu olhar voltado para a moça-menina.
— Os elfos-negros retornaram...
— Sim, minha amada Rainha. Tão cativantes como sempre o foram.

2 sussurros:

Thiago de Rovere ¥ disse...

Mais um pouco o misterio se faz. Ainda estamos nas linhas iniciais da historia e as moiras tecem devagar, embora sabiamente.

Estou muitissimo curioso com o que há de vir, assisto, como um impassivel arcanjo os acontecimentos.

Heitor V. Serpa disse...

Salve! E depois ainda reclama por eu deixar ganchos nos meus contos... rsrs. Este aqui é um universo interessante, tanto que para chegar perto de entender este conto eu tive que ler pelo menos os três anteriores. O simbolismo dos animais, acredito estar relacionado a quantidade diferentes de deuses pagãos e entidades cristãs, ou algo acima disso. Isso ainda pode dar muito pano pra manga!

Beijos